OAB Bagé realiza 2ª edição do Almoço em Homenagem ao Dia Internacional da Mulher
 

OAB Bagé realiza 2ª edição do Almoço em Homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20. Apesar da data, homenagens e protestos, uma mulher é morta a cada duas horas no país. Um levantamento feito pelo G1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal apontou 4.254 homicídios dolosos de mulheres em 2018, uma redução de 6,7% em relação a 2017, quando foram registrados 4.558 assassinatos. Houve ainda um aumento no número de registros de feminicídio, isto é, de casos em que mulheres foram mortas em crimes de ódio devido à condição de gênero.

Motivadas por situações como estas, a Comissão da Mulher Advogada da Subseção de Bagé da OAB (CMA/Bagé), pelo segundo ano consecutivo, realizou o Almoço em Homenagem ao Dia Internacional da Mulher, evento que reúne advogadas, estagiárias e público em geral na sede da Ordem local para reiterar o trabalho que vem sendo feito, priorizando a igualdade de direitos e inserção da mulher em cargos e comissões da Ordem dos Advogados do Brasil.

Em 85 anos de fundação, o ano de 2019 trouxe junto à Diretoria, pela segunda vez, uma Vice-Presidente mulher, Dra. Márcia Rochinhas, que será oficialmente empossada junto aos demais membros no próximo dia 12. Junto a ela, toma posse também a Dra. Miréia Bezerra, como Secretária-geral Adjunta. Somado ao fato, estará tomando posse o Conselho Subseccional e nesta gestão, mais da metade dos membros são mulheres.
Conforme relata a Vice-Presidente, “É gratificante ver à casa cheia de advogadas que se destacam não só através do profissionalismo na advocacia, mas também são Mulheres de Ordem atuantes em Comissões, Conselho e Diretoria, exercendo assim também um papel social tão importante para a cidadania”. Márcia destacou ainda a importância da data para se refletir sobre as conquistas e os avanços na busca pela igualdade e respeito, além da necessidade de se manter vigilantes. “Os números apontam a crescente taxa de feminicídio e violência contra as mulheres. Somente com união e sororidade se dará o fortalecimento contra o machismo. E assim chegaremos a uma sociedade igual para todos”, enfatiza.

Conselheira Subseccional, membro de comissões e atual coordenadora da Comissão da Mulher Advogada em Bagé, Dra. Lélia de Quadros comemora o sucesso de mais um evento organizado pela CMA. “Nós, enquanto Comissão da Mulher Advogada, temos muito o que comemorar, porque na OAB, hoje, temos uma Vice-Presidente; nas comissões, dentro da Diretoria e Conselho a majoritária é feminina, e isso se dá pela luta de muitas mulheres que vieram antes de nós. Também pela sensibilidade que tem o nosso Presidente, Dr. Marcelo Marinho, e que luta muito, trabalha intensamente no sentido de valorizar a mulher advogada. Por outro lado, temos ainda que continuar lutando por mesmas condições salariais, respeito, pelo fim da violência contra a mulher que ainda machuca, maltrata e mata muitas de nós em nosso país. Também quero deixar uma mensagem de orgulho e satisfação, de muita felicidade pela nossa comemoração de hoje, agradecer imensamente à todas as colegas que participaram e dizer que a CMA, neste papel social que lhe cabe, continuará nesse trabalho, levando informação para toda a comunidade a respeito dos direitos das mulheres, situações de violência doméstica, o quê fazer, onde procurar ajuda e também com relação às reformas da previdência que com certeza irão afetar principalmente o público feminino. De qualquer forma, temos que comemorar muito, mas ao mesmo tempo, pensar que ainda temos muito o que lutar em defesa dos nossos direitos. Essa é a minha mensagem enquanto coordenadora da Comissão da Mulher”, finaliza.

Durante o evento, os presentes foram brindados com a leitura de um poema, escrito pela graduanda em História/Licenciatura pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Giovana da Rosa Carlos. Intitulado “Arquetípico Poema”, os versos foram publicados no livro “Poetize 2019” Concurso Nacional Novos Poetas.

O almoço contou ainda com o sorteio de brindes, doados pelos apoiadores: OABPrev, CAA/RS, Loja Kitnet Moda Feminina, Ki-Colchões, Rainha das Noivas, Dra. Fernanda Borba, Flora Marcella Saboaria e Visual Hair Studio.
As programações da CMA para março começaram hoje e garantem um calendário extenso de programação para todo o mês.



Arquetípico Poema

(Poema publicado no Livro “Poetize 2019” Concurso Nacional Novos Poetas)

Autoria: Giovana Meireles da Rosa Carlos


Quando o teu perfume sobrevoa a atmosfera do meu pensamento
E o peso da História repousa sob meus ombros
Tento correr o mais rápido possível,
Com velocidade superior ao que as pernas suportam.
Buscando outra dimensão,
Outra galáxia,
Outro ponto no espaço interminável,
Qualquer ínfimo de instante que me tire daqui e apesar do esforço veloz...
Continuo com os pés nas calçadas imundas de um terceiro mundo,
Um país que cheira como o esgoto a céu aberto que mantém,
Desolado pela violência,
Pela miséria dos ricos e dos pobres.
Isso não quer dizer que eu não te perceba belo,
Sim, és profundamente belo
Amo-te, mesmo que fraturado,
Ainda que torturado por teus próprios filhos,
Que preferem às inúteis armas aos enigmáticos livros,
os sádicos totalitarismos aos inacessíveis pensamentos e difíceis raciocínios...

Talvez seja a distância entre o meu sonho e teu futuro
Tomado pela névoa,
não como incapacidade de ver,
mas como impossibilidade de ir além...
Além da generalização fácil,
Da ofensa cravada, do rótulo postulado, do soco covarde e do empurrão pelas costas.
Nós não temos um Deus-Pai para crer, obedecer e cultuar
Nós temos milhares de divindades para estudar, desvendar e nos conectar
Porque a premissa do conhecimento é o desconforto,
Ah...
E como senti a cabeça doer depois de muito ler.
Recordo-me dos desafortunados que descobriram na inquieta poesia,
Em viscerais literaturas,
Nessa vã filosofia o seu refúgio.
Importunas criaturas.
Céticos demais para se encaixar em um mundo homogeneizante
A identificação que possuem é com o desconforto
e com a desconfiança diante do humano.
Retirados do sono profundo do ventre para dançar no abismo infernal de Nietzsche.
Lançados ao mundo opaco, falho
Jogados nas bibliotecas para conhecer, para inflar memórias de fatos e de ciência,
E que quando conhecem,
É aí, portanto, o ponto irreversível em que realmente
desconhecem,
Invariavelmente, universo desconhecido, indiferente
Sabedoria inatingível por mera questão de tempo de vida e extensão de palavras escritas.
Apavorando-se diante do vasto acúmulo de conhecimento universal
Julgam nada conhecer, nem possuir.
E é por isso que o iletrado, o que nada lê, nem analisa atentamente, julga tudo saber.
A sua certeza é do tamanho do cosmos que desconhece.
E a nossa é do tamanho dos livros que escavamos.






   
 



 
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